Teatro do Oprimido por Silvia Dominiquini Medeiros Marino

O teatro é a primeira invenção humana, e é aquela que possibilita e promove todas as outras invenções e todas as outras descobertas, define Augusto Boal (1931-2009).

Segundo o dramaturgo, a essência do teatro consiste no ato humano de auto observação, ou seja, ver-se em ação. O autoconhecimento assim adquirido permite-lhe ser sujeito (aquele que observa) de um outro sujeito (aquele que age).  Para Boal o teatro é uma atividade vocacional de todos os seres humanos.

O teatro do oprimido é um sistema de exercícios físicos, jogos estéticos, técnicas de imagens e improvisações especiais, que tem por objetivo resgatar, desenvolver e redimensionar essa vocação humana, tornando a atividade teatral um instrumento eficaz na compreensão e na busca de soluções para problemas sociais e interpessoais. (Boal, 2002)

O Teatro do Oprimido desenvolve-se em três vertentes principais: educativa, social e terapêutica (O Arco-Íris do Desejo- Método Boal de teatro e terapia, 2002). Educativa porque ensina técnicas de trabalho com o corpo por meio de jogos teatrais que auxiliam no desenvolvimento do ator “nato” em cada ser humano; social porque empresta das questões da vida cotidiana os temas a serem debatidos nas atividades e o material para a produção dos atos a serem levados para apresentação. Terapêutico porque, impreterivelmente neste processo de desenvolvimento os sujeitos acessam e trabalham os afetos do seu corpo, as manifestações de opressões introjetadas, ampliando as possibilidades de compreensão das variáveis e implicações envolvidas na situação analisada.

por Silvia Dominiquini Medeiros Marino

Anúncios