O que está acontecendo no Casarão?

por Daniela Alvares Beskow. artista-pesquisadora, integrante do Coletivo Casarão e moradora de Barão Geraldo.

Em 2004 existia na cidade, um projeto chamado Orçamento Participativo, como parte do governo de então. O “O.P.”, prevê que uma parte do orçamento da cidade seja decidido pela própria população, a partir de suas necessidades. Estas, são manifestadas em encontros em assembléias comunitárias nos bairros.

O Centro Cultural Casarão do Barão foi criado a partir de uma demanda do bairro de Barão Geraldo, em assembléias do Orçamento Participativo. O espaço foi concedido por uma família de Barão Geraldo, mediante o seguinte acordo:  a prefeitura autorizou  o loteamento das terras da fazenda onde o Casarão se localiza e, em troca, a família dona das terras, cedeu o cojunto de imóveis e área, atualmente utilizados sob o nome de Centro Cultural Casarão do Barão.

Desde então, existe o centro cultural público de Barão Geraldo.

No entanto, assim como outros espaços culturais da cidade (casas de cultura, teatros, etc), NÃO há o investimento mínimo para que funcione de maneira digna, o centro cultural.

Primeiro: assim como outros espaços culturais da cidade, o Casarão não está regulamentado como tal. Ele faz parte da Secretaria de Cultura, mas não faz parte do centro de custos da prefeitura. Esse fato o torna vulnerável para que outros grupos e secretarias requisitem o Casarão para outros fins, já que formalmente não está registrado como Centro Cultural.

Não estando regulamentado como deveria, não há uma verba mensal ou anual destinada ao Centro Cultural, necessária para sua manutenção. Por esse motivo, atualmente, o Casarão sofre com falta de requisitos mínimos necessários para a existência de qualquer espaço público. Há problemas na parte hidráulica (banheiros que não funcionam direito), na parte elétrica (iluminação e fiação). Esses, prejudicam a higiene e segurança do local. Por vezes, falta água potável para os integrantes e visitantes do espaço, beberem. Os telhados estão danificados: em certas salas, há entrada de água pelo teto, sendo inviável estar nelas, em dia de chuva. Essa é a situação lamentável que enfrenta hoje o Centro Cultural Casarão do Barão.

Para além dessas necessidades básicas, estão as necessidades de qualquer centro cultural. É necessário mais funcionários para a manutenção do espaço ( limpeza, jardinagem, administração), pois atualmente há apenas um funcionário, o que é um absurdo. É necessário infraestrutura: equipamentos para: apresentações artísticas e manifestações/eventos/festas populares, salas de ensaio, oficinas, aulas, encontros. É necessário uma verba mensal para os pagamentos dos profissionais que lá trabalham (professores, artistas, oficineiros). É necessário uma divulgação mensal das atividades do Casarão (site da prefeitura, caderno de programação), realizada pela prefeitura.

Apesar, e repito, apesar dessa lastimável situação de falta, o Centro Cultural Casarão vem funcionando há sete anos, desde a data de sua fundação, através do esforço dos profissionais que se envolvem com o dia a dia do local. Atividades diversas já foram e vêm sendo desenvolvidas, no âmbito educacional, cultural e artístico. Aulas, oficinas e cursos pontuais, eventos com visitantes de outros estados, manifestações populares, apresentações, ensaios dos artistas locais, festas com a comunidade local e festas de grande porte, com visitantes de vária partes de Campinas. Tudo isso vem acontecendo a partir de organização dos próprios profissionais e população envolvida e também da única funcionária do Casarão que gere o espaço.

No entando, o Casarão ainda pode muito mais. Continuamos aguardando invenstimentos da prefeitura para que o centro cultural possa melhorar ainda mais, através da junção entre Poder Público e organização comunitária.

O Casarão é gerido hoje pelo Coletivo Casarão. Estamos no início de um processo de regulamentação da situação do Casarão, frente ao centro de custos de prefeitura, e propomos uma Gestão Compartilhada,  estabelecida formalmente frente à Prefeitura. A gestão do Casarão já vem sendo feita independente da Prefeitura há sete anos. Agora, pretendemos formaliza-la para que, Prefeitura e Comunidade, estejam juntos na gestão desse espaço público da cidade.

Barão Geraldo é um pólo de produção artística há décadas. É um absurdo sequer pensar na possibilidade de tirar o centro cultural público do bairro, para que seja destinado à outros fins. O que tem de ser feito, é incentivo e investimento para que haja condições mínimas para que mais e mais pessoas utilizem esse espaço cultural

Gabriel Rapasi, diretor da cultura da cidade, nos surpreendeu em reunião na última terça feira, ao afirmar que não sabia da publicação em Diário Oficial sobre a autorização para pedido de consessão do Casarão à Camprev. Ou seja, a Secretaria da Cultura NÃO SABIA do fato. Que tipo de comunicação há entre as secretarias da cidade, e entre o prefeito e seus secretários, para ter havido um fato tão absurdo como esse? As coisas acontecem a mando do prefeito, a despeito de toda uma administração pública?? Isso é mais um dos absurdos da prefeitura de Campinas, que atualmente vive um período tenebroso de corrupção e ilegalidades.

Como moradora de Barão Geraldo e artista da cidade, me envergonho dessa situação.

O Centro Cultural Casarão do Barão, assim como todos os outros espaços culturais da cidade continuam aguardando por investimentos e manutenção.

Daniela Alvares Beskow

artista-pesquisadora. Bacharel em Ciências Políticas pela Unicamp. Desenvolveu trabalhos e práticas artísticas no Casarão entre 2006 e 2008, como bailarina, professora de Criação em Dança e Consciência Corporal, e organizadora de mostras.

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